Por Diego Nascimento

Dirigindo de volta para minha cidade natal testemunhei um trágico acidente. Ao longe percebi um automóvel capotando e uma pessoa estirada no acostamento. Imediatamente parei meu carro em um local seguro e corri para socorrer quem havia sido jogado para fora do veículo. Era uma jovem garota que lamentavelmente deu o último suspiro tão logo cheguei perto dela.  Atravessei a pista e retirei os demais ocupantes que estavam feridos e em estado de choque; o carro estava destruído e saindo fumaça. Para meu espanto havia sete pessoas dentro de um automóvel planejado para cinco ocupantes sem contar a garrafa de whisky praticamente vazia que encontrei no assoalho do motorista. Parte de minha família que viajava comigo ofereceu assistência aos sobreviventes enquanto chamávamos o resgate e a polícia. O que causou aquela cena terrível? Imprudência. Uma mistura de velocidade e álcool.

Fiz uso dessa experiência para tratar da imprudência profissional. Ela é mais comum do que se imagina e pode ser praticada por novatos e veteranos. Se fala muito em uma nova geração que ignora regras e que precisa ser bajulada; de certa forma faço parte dela e não vejo graça alguma nessa configuração. Entendo perfeitamente que os tempos mudam, mas pró-atividade, honestidade, pontualidade e bom senso são características essenciais na vida de um estagiário, gerente, diretor, CEO… não importa a posição.

A imprudência pode ser vista na entrega de um relatório incompleto, na desvalorização da empresa em que atua (mesmo quando se recebe condições e benefícios de “dar inveja”), na semeadura de discórdia entre colegas de departamento, na ociosidade ou procrastinação, na prática do “jeitinho”, nos constantes atrasos de chegada ao expediente, na arrogância ou soberba teoricamente sustentadas pelo seu cargo ou na simples falta de fazer a diferença sem esperar algo em troca.

Sou da famosa Geração Y que engloba os nascidos a partir de 1980 e que assistiram ao boom da internet e da instantaneidade da comunicação. Isso não me faz melhor do que ninguém e, por essa razão, realizo o meu melhor em busca do desenvolvimento profissional. O trabalho duro é algo que cultivo desde a minha adolescência e pude equilibrar com a graduação, pós-graduação e ministração de diversos treinamentos. Prefiro ser prudente do que viver uma “imprudência” justificada por muitos com base na data de nascimento. Jamais concordarei com essa forma de pensar do “deitado eternamente em berço esplêndido.”

A Bíblia é repleta de orientações a respeito desse tema. Sou um profissional do mundo corporativo e que baseia as escolhas na confessionalidade. O livro de Tiago no capítulo 3, verso 17 diz: “Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente, pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia.” A imprudência no trânsito é capaz de tirar vidas. A imprudência profissional (ou mesmo para quem ainda está na vida estudantil) mata oportunidades, destrói relacionamentos e apaga a possibilidade de um bom futuro. Cuidado com a forma como dirige seus passos.

One Response

  1. Prezado Diego,

    Muito bem! Deixa claro que todos nós da geração Y, temos certa responsabilidade em mudar alguns paradigmas que ficaram marcados. E também, a necessidade de tomar conta dos nossos passos, que definem os rumos da nossa vida, tanto pessoal como profissional.
    Abraço,

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