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Você e eu

Por Diego Nascimento

Eu tinha 22 anos de idade quando subi a Cordilheira dos Andes pela primeira vez. À medida que a estrada atingia níveis mais altos, o frio se tornava mais intenso. Os picos tomados pela neve exibiam um espetáculo natural mas alertavam sobre os perigos da ousadia. Em certo trecho da jornada avistei uma casa feita de pedras, em estilo rústico. Uma pequena construção visivelmente antiga e que guardava um significado profundo.

Assim que atingi três mil metros de altitude perguntei aos nativos que estavam próximos do meu grupo o que aquela cabana de pedras fazia ali. A resposta foi marcante: a casa servia de refúgio a quaisquer pessoas que optassem por seguir viagem ou que precisassem de guarida, principalmente em períodos de nevasca. O mais impressionante é que os hóspedes temporários tinham o hábito de deixar cobertores e comida para os próximos viajantes ou esportistas que necessitassem do abrigo. Um verdadeiro e profundo senso de coletividade.

O relato que acabo de fazer mostra uma atitude cada vez mais escassa no ambiente profissional. O “eu” supera o “nós”. O mercado de trabalho não tem espaço para “pessoas que se bastam”. Ninguém vive sozinho. Somos parte de uma cadeia de ações conjuntas. Independente do tamanho da empresa ou do projeto a ser desenvolvido, é fundamental pensarmos que atividades em equipe são peças-chave para o sucesso. Lamentavelmente há pessoas que não pensam assim e que fazem do individualismo uma marca registrada. Vejam o exemplo que eu trouxe: os forasteiros que fazem uso da cabana não fazem ideia de quem será o próximo hóspede mas mesmo assim fazem questão de dividir o mantimento. Pudera toda empresa ter equipes que seguissem o mesmo ritmo. Quantos casos de vitória não compartilharíamos diariamente?

O mais triste nisso tudo é que o individualismo profissional tem avançado para dentro das famílias. Conheço gente que é capaz de trapacear a própria mãe simplesmente por um desejo egoísta, esquecendo que família também é trabalho em equipe.

Sou observador. Alguns minutos de conversa são claramente capazes de mostrar o senso de individualismo ou coletividade das pessoas. As palavras transmitem sentimentos e a linguagem corporal também. Que tenhamos cuidado em nosso cotidiano. O mercado de trabalho é muito precioso e constante para perdermos tempo com sentimentos de orgulho e egoísmo.


So, what do you think ?