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Queda livre

Por Diego Nascimento

Não. Não irei falar sobre saltos de paraquedas ou bungee jumping. Minha preocupação mais recente é sobre o que você fez mais cedo: curtir uma postagem nas redes sociais. Por meio de um laptop, computador pessoal, celular ou tablet essa ação contribuiu para mudanças no significado da palavra relacionamento. A instantaneidade das informações e o vislumbre diante das telas têm um preço muito alto.

A cada minuto mais e mais pessoas perdem a capacidade de dialogar face a face. Tenho feito essa constatação por meio de palestras com estudantes, entrevistas de recrutamento e constantes artigos científicos e jornalísticos que evidenciam essa realidade. Já vi comportamentos arredios não serem fruto de timidez, mas de individualismo. Quantas vezes você tentou conversar com alguém que divide o olhar entre o interlocutor e a tela do smartphone? Será que essa manifestação demonstra uma pessoa multifuncional? Eu discordo. Do jeito que as coisas andam a próxima geração lerá nos livros que, antigamente, a sociedade tinha o hábito de se reunir para bater um papo, tomar sorvete ou mesmo saborear um delicioso café.

Por outro lado, preciso ser honesto: faço uso das ferramentas tecnológicas. A internet tem me conectado a leitores, clientes, facilitado reuniões intercontinentais, divulgado meu trabalho (a exemplo desse artigo) e oferecido informação séria em tempo real. A diferença é que busco equilibrar necessidade com prioridade e, nesse último quesito, as relações humanas vêm em primeiro lugar. O mundo corporativo tem sentido isso na pele. Está cada vez mais difícil encontrar candidatos dispostos a se doar pela empresa, com escrita e fala equilibradas e aptos para o trabalho em equipe e para a liderança.

A maré da conectividade veio para ficar e estamos navegando por ela. O segredo é a forma como conduzimos nossa “jornada” nesse mar tão revolto e com ondas tão repentinas. A artificialidade não pode tomar lugar do bom senso. O modelo tradicional de estabelecer relacionamentos está em queda livre e não duvido disso. Entrevistas de emprego que seguem um parâmetro sério de avaliação medem, de forma profunda, as habilidades de interação dos candidatos. A boa notícia é que já temos, no mínimo, duas pessoas aptas a oferecer um ponto de equilíbrio entre tecnologia e vida real: você e eu. Pense nisso!


So, what do you think ?