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Por favor, não grite

Por Diego Nascimento

Confesso que tenho uma séria dificuldade em lidar com pessoas que gritam. Meu repúdio está ligado ao exercício exagerado das cordas vocais em situações de trabalho e relacionamento interpessoal. As observações que tenho feito ao longo do tempo mostram que o próximo degrau após o uso inadequado da voz é a agressão física. Para ilustrar a seriedade do tema contarei um fato vivenciado faz poucos dias.

Tarde de quarta-feira, Lavras, Minas Gerais. Fui até uma clínica médica e com toda tranquilidade aguardei pelo chamado na recepção. Ouvi os mais diversos “causos” dos que ali exercitavam a espera junto comigo. O que seria mais uma rotina se tornou uma das mais tenebrosas experiências para um consultor e comunicador corporativo. Notei uma certa movimentação no corredor ao lado: era a hora do famoso cafezinho. Nada demais se a educação e bom senso fizessem parte do currículo dos envolvidos que, motivados por alguma situação particular do final de semana, poluíram o ambiente com gargalhadas, vocabulário inapropriado e gritos e mais gritos. Parecia que estávamos na porta de um botequim mal frequentado, cheio de embriagados desrespeitosos e grosseiros. A cena foi tão alarmante que uma das médicas interrompeu uma consulta e em fúria clamou por ordem e silêncio, o que foi prontamente atendido.

Quem dera se fosse ficção, mas é a realidade. E sem fazer qualquer tipo de sondagem posso dizer que gritos são mais do que comuns em escritórios, lojas, praças … e dentro de casa. Costumo exemplificar relações familiares como um grande laboratório de ação/reação no cotidiano de qualquer ser humano. A teoria desse conjunto de atitudes foi registrada em um artigo* publicado pela The British Psychological Society (Sociedade Britânica de Psicologia) que diz que o “auto-controle depende de muitos processos e que mudanças na vida podem oferecer diferentes impactos dependendo da limitação da fonte de energia.” Em resumo é fácil entender que o domínio próprio continua a ser o segredo para o êxito nas relações.

Acima de qualquer teoria encontramos a Bíblia Sagrada. Nela, o apóstolo Paulo cita em carta aos Gálatas, capítulo 5, verso 22, o domínio próprio como uma característica dos frutos que vêm do Espírito. Ausência de relacionamento com Deus nos deixa mais confiantes em nós mesmos e desesperançosos, resultando em aflição e total falta de controle. É por isso que convido você, leitor/leitora, a compartilhar a importância da calma seja qual for o momento e o desafio. Que sua voz seja condutora de refrigério ao invés de sinônimo de agressão e mediocridade, a exemplo dos funcionários da clínica médica em que fui atendido.

Vivemos dias maus e absolutamente você pode compartilhar experiências em que pessoas “tentaram ganhar no grito.” No meu caso, mesmo que tenha laços sanguíneos, praticantes da gritaria perdem crédito comigo. A confiança é colocada em questão, afinal, como posso delegar responsabilidades para quem, no primeiro desafio, sai do eixo?

Concluo com um pedido simples, mas capaz de interferir profundamente em nossas relações: jamais grite comigo.

* Artigo disponível em https://thepsychologist.bps.org.uk/volume-25/edition-2/self-control-%E2%80%93-moral-muscle


Imagem deteriorada

Por Diego Nascimento

Sim, preocupo e muito com a imagem que transmitimos para as pessoas ao nosso redor. Um ato ou uma palavra falha hoje trará consequências danosas para a vida inteira. O mais lamentável disso é que tem gente que insiste no erro sabendo que está trilhando o caminho difícil, mas por orgulho prefere não se redimir ou reconhecer o penhasco em que está prestes a cair (se já não despencou).

Comparo esse raciocínio à uma viagem que fiz dias atrás.  Percorri centenas de quilômetros por uma rodovia pedagiada, mas repleta de buracos e remendos no asfalto. Para piorar enfrentei uma enorme enxurrada quando alcancei um trecho com muita chuva. Qual foi minha percepção a respeito da concessionária que administra a estrada? Péssima! E mesmo que consertem tudo o que relatei nesse parágrafo a má impressão continuará guardada em meu subconsciente.

Você pode fazer dez coisas boas mas, se falhar em uma, as pessoas manterão o foco no seu tropeço. Somos seres humanos inseridos em diferentes cenários e, com isso, todo o cuidado é pouco. Por outro lado, há quem cometa equívocos na tentativa de acertar e a humildade que carregam os fazem recomeçar ou mudar o percurso. Parabenizo quem faz parte desse grupo e deixo meu alerta para os que caminham na rota contrária e ficam eternamente marcados por atos cometidos não por ingenuidade, mas pelo melindroso senso de aventura misturado a arrogância.

Um currículo representa 50% de um profissional; o restante é demonstrando pela atitude com colegas, clientes e a instituição de forma geral. No livro “Se pudessem voltar no tempo, estas 500 pessoas não…” o escritor João José da Costa trata do arrependimento e as frustrações por decisões erradas que são comuns e que fazem parte do nosso processo de aprendizado. Na página 136 ele conta de um homem que era conhecido por sua capacidade em “enrolar” no ambiente de trabalho, até que conseguiu uma promoção e foi trabalhar no exterior. Depois de 15 meses em terras estrangeiras suas técnicas de manobra foram rapidamente identificadas e nosso “executivo” foi sumariamente demitido. Ao retornar ao país veio a surpresa: sua imagem estava completamente desgastada no mercado e ele foi obrigado a aceitar cargos inferiores em virtude de uma “esperteza” plantada no passado, mas com frutos amargos no futuro.

Você tem vidas: a pessoal, a profissional, a social … são fases das quais não conseguirá se desprender. Olhe à sua volta, busque rotas acertadas e fuja ao menor sinal do “jeitinho”. Conheço quem ficou com a imagem deteriorada por ter escolhido caminhos e companhias erradas ainda na mocidade. Muitas delas conversaram comigo em busca de uma nova oportunidade de trabalho e digo: o processo é lento, doloroso e pode não surtir o resultado desejado.

Merecemos uma segunda chance? Sim! Como profissional da comunicação tenho acompanhado casos muito interessantes de superação e, também, de recaída. Tudo está ligado às escolhas que não poderão ser ocultadas por muito tempo pelo melhor discurso ou currículo (máscaras caem). Como diria o presidente Abraham Lincoln: “Você pode enganar pessoas todo o tempo. Você pode também enganar todas as pessoas algum tempo. Mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo.” 

Abra os olhos!

 


Reconheça seus erros

Por Diego Nascimento

Faz algum tempo que tenho raciocinado sobre uma frase traiçoeira e que tem se tornado comum em nosso dia a dia: “errar é humano.” Mas até que ponto uma afirmação dessas é uma eventualidade ou se torna uma constante nas responsabilidades que assumimos? Quantas vezes a “humanidade” ou o simples fato de sermos carne e osso respalda os deslizes que cometemos? Garanto que você, lendo esse pequeno trecho, trouxe à memória algum fato recente onde atuou como personagem principal. E para partilhar desse sentimento vou te contar o que aconteceu comigo.

Duas semanas atrás aceitei participar de um evento onde eu falaria a respeito da Bíblia (tenho o hábito de estudar as Sagradas Escrituras). Como de costume marquei data, horário e local na agenda eletrônica e com a devida antecedência prepararei o material. Cheguei a convidar familiares para irem comigo e com tranquilidade fui para a estrada rumo ao meu destino. Chegando lá percebi o local cheio e fiquei impressionado com o compromisso da comunidade. Ao mesmo tempo notei que o líder, que havia feito o convite quinze dias antes, também estava lá. Foi um misto de curiosidade e estranheza, pois, minha presença aconteceria em virtude da ausência dele naquela data. Para meu espanto eu era, de fato, aguardado para o estudo. A diferença estava no endereço: por um lapso eu registrei na agenda outro destino quando, na verdade, eu deveria estar a 20Km de onde havia estacionado meu carro. Uma verdadeira tragédia.

Preciso dizer que situações assim são injustificáveis. Minha falha causou desconforto e rendeu momentos de profunda preocupação com o grupo que certamente me aguardava em outra cidade. Na busca por um culpado (eu mesmo) só me restava um pedido de perdão futuro. Após o envio de algumas mensagens fui parcialmente acalentado ao saber que um membro da outra comunidade havia “assumido o controle” em meu lugar. Prontamente manifestei meu voto de louvor pela pró-atividade e reiterei meu lamento por toda a confusão. Embora eu entenda que não somos seres robotizados, programados para seguirmos uma sequência de códigos, é fundamental entender que há limites até mesmo para equívocos. A falta de sensibilidade para minimizar falhas tem resultado no sofrimento de indivíduos, famílias, empresas e até de países pelo mundo afora.

Recentemente li sobre um homem que mesmo na terceira idade tem sido alvo de inúmeras denúncias por crimes cometidos ao longo de sua vida. Ao que parece ele errou a primeira, a segunda…. a vigésima vez e por causa da falibilidade que já carregamos conosco ele optou por cair na armadilha do comodismo e fazer dos equívocos um costume. O mais lamentável é que não arcamos sozinhos com as consequências de nossos erros e pessoas do entorno acabam recebendo “estilhaços” dos nossos tombos.

No meu caso observamos uma clara falha de conferência. Mesmo tendo sido a primeira vez que isso tenha acontecido, meus esforços para que não se repita foram redobrados. Não vivemos por nós mesmos. Grandes oportunidades implicam em grandes responsabilidades. Que tal fazermos uma avaliação dos deslizes e traçarmos estratégias para que nossa caminhada seja mais firme e segura? Tenho a absoluta certeza de que muita coisa irá mudar … e para melhor!


Estamos vigiando você

Por Diego Nascimento

Informação é algo valioso em toda situação da vida. Por meio dela empresas abrem ou fecham, pessoas se aproximam ou vão embora, guerras começam e terminam e a conta bancária de observadores fica cada vez maior. A cada canal visitado na televisão, compras online ou pesquisas no computador um perfil sobre nós é construído. Mas como isso funciona?

“Quem tem informação, tem o poder.” Já ouviu ou leu essa frase? Pouca gente imagina, mas a Segunda Guerra Mundial foi ganha em meio à captação de dados durante uma verdadeira queda de braço entre o regime nazista e o exército aliado, que se opunha totalmente às propostas de Hitler. Os britânicos tinham um brilhante time de cientistas incluindo matemáticos e estatísticos para decodificar quaisquer comunicação sonora e impressa interceptada em transmissões inimigas. Sete décadas depois da rendição da Alemanha a informação continua sendo alvo de disputas, mas dessa vez são empreendedores e grandes corporações que querem os mínimos detalhes sobre VOCÊ. E não adianta se isolar no meio de um deserto pois, se está lendo esse texto agora, seus rastros já foram gravados por uma robusta malha computacional.

O tráfego de informações que circula na internet nesse exato momento é absurdo. De acordo com o portal Statista, um dos líderes mundiais na apuração de dados estatísticos, mais de 3 milhões e 600 mil buscas foram feitas por dia no Google em 2017. Além disso, mais de 4 milhões de vídeos foram assistidos a cada sessenta segundos no Youtube. Chegamos à uma fase de conexão que não tem mais volta. Uma pequena mercearia é ponte de captação de informações de um simples cliente quando ele resolve pagar o pãozinho e o café com leite no cartão de débito ou crédito. Tudo armazenado, tudo interligado.

Para quem atua com marketing esse novo perfil mundial traz benefícios e, também, muitos desafios. O novo conceito de “urgente” e as constantes ofertas de novos produtos e serviços fazem com que os hábitos comportamentais se alterem com mais intensidade, exigindo um monitoramento mais apurado de qualquer movimentação. Uma prova disso são os cartões fidelidade, ofertados em sua maioria por lojas de atacado e varejo (supermercados em geral). O que aparentemente é uma benefício ao cliente abastece os sistemas de informática com suas preferências de compra (marca, tamanho …) e até os intervalos em que você retorna ao estabelecimento para cumprir uma missão básica de consumidor quando, na verdade, sua presença é fonte de estudo para melhorias na aproximação com os fornecedores.

Por diversas vezes manifestei em textos e palestras meu fascínio pelo comportamento humano. Com tranquilidade digo que observo as pessoas com as quais converso e associo movimento facial, argumentação, tom de voz e modo de vestir ao meu sistema mental de decodificação. Mesmo com anos de estudo confesso que estou em fase de aperfeiçoamento, mas um certo conhecimento na área já permitiu experiências muito interessantes. Agora imagine tudo isso gerenciado por um mega sistema de informática que imprime, em poucos segundos, seu perfil de consumo. Entende agora a razão de alguns lançamentos divulgados na TV e web parecerem ter sido moldados  exclusivamente para você?

Encerro alertando para a importância desse conjunto de acontecimentos envolvendo a sua vida. Em trinta anos vimos mais novidades tecnológicas do que o mundo inteiro durante um período de 100 anos na Idade Média. O relógio está a todo vapor e quero tranquilizar os leitores sobre essas transformações. Por mais que não consigamos fugir delas, podemos manter uma posição firme no que diz respeito ao lixo informacional que toda essa propaganda produz. Explore o ambiente online, faça boas amizades, reencontre familiares, aproveite as promoções nas lojas virtuais, mas jamais deixe que essa aparente “porta da oportunidade” desapareça com seus valores morais e éticos.

E se as máquinas falassem eu acredito que a primeira frase que diriam é: “estamos vigiando você.”

 


Que cheiro é esse?

Por Diego Nascimento

Quem já não respondeu essa pergunta? Ao longo da vida somos impactados por aromas diversos que alertam para um saboroso almoço, um rio poluído, um belo buquê e até uma colônia ou perfume recém-comprados. O Marketing Pessoal é um tema tão vasto que inclui até o cheiro. Garanto que para muitos leitores esse assunto é delicado principalmente dentro de casa e no círculo de trabalho.  Com o receio de ferir sentimentos muita gente sofre com o excesso ou a falta de um “cheirinho harmonioso.”

Lidar com pessoas exige um cuidado especial em nossa aparência. Mesmo de forma indireta temos o hábito de observar o contexto do ambiente e dos profissionais envolvidos no atendimento. Certa vez fui à um loja para avaliar um produto e voltei para casa com uma tremenda dor de cabeça. Isso porque a vendedora (por sinal muito bonita) exagerou na dose do perfume e contagiou o estabelecimento (talvez o quarteirão) com um aroma inadequado (forte) para aquele local e evento. Em outra situação o contrário também veio à tona: a falta de um banho ou de um desodorante fez muita diferença em meu diálogo com outro atendente que havia declarado guerra ao bom cheiro.  Mas o que fazer em ambos os casos? Eis algumas dicas importantes para auxiliar nós mesmos e outros indivíduos:

  • Somos seres humanos e, por essa razão, transpiramos o tempo todo. O contato do suor com bactérias da pele nos presenteia com aquele odor forte, desagradável, que os médicos chamam de bromidrose. Escolher um bom desodorante (roll-on, spray, creme…) para uso diário vale a pena;
  • Evitar a repetição de roupas sem a devida lavagem; o suor seco também traz consequências ruins;
  • Fazer do banho um exercício contínuo. Entrar no chuveiro apenas “aos sábados” não funciona;
  • Optar por aromas menos concentrados no ambiente empresarial. Os chamados “Eau de toilette” e “Eau de cologne” são ideais para o cotidiano na empresa, ao contrário dos produtos “Eau de parfum” que são mais concentrados e fortes;
  • Saber que quanto mais quente e úmida está a temperatura, mais intenso e forte será o cheiro do perfume. Se o tempo estiver frio o aroma é mais discreto. Respeitar essa regra é um bom termômetro;
  • Entender que um local agradável se reflete no respeito aos colegas de profissão, sem exageros (mesmo no cheiro);
  • Buscar auxílio de consultores ou mesmo lojas especializadas quando for adquirir um desodorante, perfume…

Sei que muitos jamais pararam um instante para pensar no efeitos desse tema no Marketing Pessoal. Como estudioso da área é meu dever compartilhar conhecimentos que podem prevenir transtornos e salvar carreiras. Já publiquei artigos tratando de voz, uso de redes sociais, currículo, escrita, qualificação profissional e muitos outros títulos que, se somados, formam a linha do tempo de quem acabou de chegar ao mercado de trabalho ou de quem está celebrando aniversários nesse ou naquele departamento.

Bom senso é para todos!


Oops, erramos!

Por Diego Nascimento

Certa vez conheci uma pessoa que batia no peito dizendo: “Eu jamais cometo erros.” Essa frase era compartilhada com todos no escritório dia após dia e, infelizmente, incomodava os colegas por uma razão simples: somos humanos e falíveis. Agir contra esse princípio natural demonstra uma clara soberba e arrogância de quem subestima as limitações da mente e do corpo. E falando de Ética Profissional caminhe comigo nas linhas que “escreverei” a seguir.

A excelência é uma palavra muito disseminada na atualidade. Reuniões e treinamentos dentro e fora das empresas tratam do aperfeiçoamento, da qualificação e do planejamento nos níveis operacional e estratégico. O que quero deixar claro é que mesmo com as inovações tecnológicas e pesquisas que resultam em Prêmios Nobel, não teremos condições de cercar todos os equívocos que venham a surgir na prestação de serviços e/ou na oferta dos mais diversos produtos.

Mas o que fazer em casos assim? Minha primeira recomendação é o diálogo. Por meio dele sabemos se gestores e comandados sabem exercitar o ouvir e o falar de maneira produtiva e equilibrada. É conversando que teremos a uma visão ainda mais ampla do processo e dar/receber um voto de confiança, além de apurar o que de fato ocasionou o erro. A segunda dica é organizar (mesmo que isso exija tempo) a rotina de trabalho da equipe, dos setores … saiba que do mais simples estabelecimento comercial à uma gigante da indústria essa prática funciona e muito bem (claro que customizada conforme o tamanho da organização, número de funcionários e abrangência de mercado). A evolução é uma constante e jamais podemos cair na armadilha do comodismo.

Em seu livro “O poder do hábito” o  jornalista Charles Duhigg, repórter investigativo do New York Times, traz inúmeros exemplos sobre do que praticamos na vida, nos estudos e nos negócios. Ao longo de quase 400 páginas a publicação foca em padrões que moldam cada aspecto de nosso cotidiano e, sem sombra de dúvidas, falhas de pequena ou grande proporção que podem ser tratadas para que não se repitam. A humildade não está ligada apenas a condições financeiras desfavoráveis, mas à nossa capacidade de sempre aprender.

Por último, esclareço que aceitar nossa falibilidade não justifica nossa permanência no erro. Ao mesmo tempo reitero que o Super-Homem e a Mulher-Maravilha ainda são personagens exclusivos da DC Comics e seus superpoderes não representam nossa realidade humana. Mesmo assim se empenhe em fortalecer suas habilidades e ampliar sua atenção para que a excelência seja uma marca registrada em seu currículo profissional.


Nada de especial

Por Diego Nascimento

Sempre escrevo sobre dicas de comunicação e marketing pessoal, mas hoje quero tratar de força de vontade. Isso mesmo: sair da zona de conforto e fazer algo que valha a pena. A cada dia percebo uma terceirização de responsabilidades que gradualmente abre uma “cratera” entre teoria e prática. Vivemos na época do “falar muito” e “fazer pouco.” Discordo dessa forma de pensar e vou explicar os motivos.

Qualquer coisa na atualidade gira em torno das gerações X, Y e Z (categorias que dividem as pessoas nascidas a partir de 1980). Eu faço parte desse grupo e afirmo com a maior tranquilidade: não temos nada de especial. É visível os paparicos que recebemos da mídia e de outros setores da sociedade que insistem em dizer que necessitamos de um tratamento diferenciado e que somos fruto da era da conectividade. Tudo bem. O mundo mudou e, de fato, nossa visão sobre determinadas áreas pode ser mais abrangente, como também pode ser restrita em virtude de uma certa inexperiência. Não há dúvida de que as metodologias de ensino, do exercício do empreendedorismo e até de consumo precisaram fazer muita ginástica para uma adaptação ao “nosso” jeito de ver o universo e, também, para captar “nossa” atenção. Esse é o futuro.

Por outro lado, todo esse movimento de renovação me incomoda quando vejo alguns jovens na posição de semideuses, simplesmente porque a certidão de nascimento os coloca nas gerações que falei agora pouco. Chega a ser patética a maneira como muitos justificam o comodismo e um cotidiano baseado exclusivamente em curtição (afinal de contas são especiais). Querendo ou não somos fruto de uma era que antecede o boom dos X, Y e Z e que tem sustentado a economia mundial até hoje (sobreviveram por longos anos sem internet e celular) e, mesmo assim, é lamentavelmente alvo de críticas profundas.

Encerro dizendo mais uma vez que não temos nada de especial. Somos seres humanos nascidos em uma época diferente e ponto. Ao invés de terceirizarmos responsabilidades, sob a simples e ridícula afirmação de que somos X,  Y e Z, precisamos sustentar o presente em prol do amanhã que, sem sombra de dúvidas, será muito mais desafiador. Não importa a letra do alfabeto que te representa, saiba que a ausência de força de vontade é danosa para qualquer geração. Saia do lugar! Jogue o prazer do comodismo pela janela! E como diria o grande economista Milton Friedman: “Não existe almoço grátis.”


Peça ajuda

Por Diego Nascimento

  • “Estou atolado de coisas para fazer…”
  • “Me liga mais tarde … minha agenda tá cheia…”
  • “Pudera o dia ter mais de 24 horas…”

Já ouviu essas frases antes? Eu também! São comuns a profissionais, estudantes e até para aqueles que já desfrutam de um descanso mas estão envolvidos nos desafios do cotidiano. Existem diversos livros e artigos com dicas sobre como gerenciar seu tempo em prol da qualidade de vida. Recordo que na minha adolescência as pessoas diziam que a informática facilitaria as tarefas e tudo seria melhor: acho que ainda esperam ansiosos por isso. Pura ilusão!

Após vivenciar a “falta de tempo” e testemunhar o desespero de muita gente com o acúmulo de tarefas cheguei à conclusão de que pedir ajuda e delegar funções são os primeiros passos em busca de uma pré-organização da agenda profissional, acadêmica ou mesmo particular. Reconhecer nossas limitações é o início da cura. Fui um workaholic (viciado em trabalho) e sei como funciona. Foram muitas as crises de abstinência antes de entender a necessidade de equilíbrio. Embora eu tenha avançado significativamente ainda preciso melhorar muito.

A primeira sugestão para “desatolar” é capacitar alguém que possa auxiliar você em momentos de sufoco. Uma pessoa de confiança, que saiba respeitar seus limites e que seja pró-ativa a ponto de trazer refrigério para suas preocupações. O segundo passo é organizar cada item, na escala de urgente, importante, não-urgente e menos importante. Por último, passe a valorizar coisas simples ao seu redor (mesmo que isso implique em desfrutar de um diálogo ao telefone com um amigo ou familiar). Quando ficamos ocupados ao extremo conseguimos afastar as pessoas que mais se importam conosco.

A mente ocupada traz resultados interessantes, mas tudo em excesso é prejudicial e oferece riscos à nossa saúde em muitos aspectos. Encerro sugerindo que faça uma análise cuidadosa sobre o seu TEMPO e, se o desespero for um sentimento prestes a bater à sua porta, siga em frente e peça ajuda! 


Evite deslizes

Por Diego Nascimento

O Facebook é um ambiente muito interessante. Digo isso não apenas por determinadas postagens que testemunho, mas pela forma como algumas pessoas passam longe das regras de escrita. A redação de uma simples frase, parágrafo ou texto mais amplo exige o respeito às noções básicas de gramática e ortografia. O mais surpreendente é que deslizes do tipo são praticados por um expressivo número de jovens e adultos (alguns até com titulação acadêmica).

Quero deixar claro que todas as pessoas reúnem limitações em determinadas áreas. Ao mesmo tempo concordo que a Língua Portuguesa, em especial, oferece um desafio maior em virtude das amplas regras de sintaxe e assim por diante. Por outro lado alguns pequenos desabafos, homenagens, agradecimentos ou quaisquer manifestações em redes sociais pedem um cuidado especial. O motivo é simples: é a sua imagem que está associada ao conteúdo. Se você é um profissional do mercado de trabalho o perigo é ainda maior: o aumento ou diminuição de credibilidade também podem estar associados à maneira como você escreve.

O aprendizado é diário e a acomodação é uma escolha. Na internet é fácil encontrar inúmeras dicas de Português (vídeos, áudios, exercícios…) e arrisco dizer que há muita gente por aí que prefere “perder tempo” deslizando a tela do celular em conteúdos que não levam a lugar algum. Se você conhece alguém que se enquadra nesse cenário “assustador” sugira treinamento, qualificação. Não tenha medo de dizer a verdade por algo bom. O crescimento pessoal e profissional envolve lapidação e bom senso.

Certa vez alguém me perguntou qual seria o melhor caminho para a aprendizagem. Minha resposta incluiu duas palavras: repetição e disciplina. Produzir pequenos textos em períodos regulares exercitará a mente para a argumentação, gramática, etc… Faço isso para minha língua materna e para outros idiomas que estudo. Mas essa estratégia não valerá de nada se não houver disciplina ou, indo direto ao ponto, criar o hábito de exercitar essa habilidade de escrita. Peça ajuda quando for preciso e não se acanhe; somos humanos e aprendemos dia após dia!


Glossofobia: sintomas e tratamento

Por Diego Nascimento

Fobia é um substantivo feminino originado do grego “fobos” que significa medo, aversão ou repulsa e está presente em algo muito comum entre as pessoas: o receio de falar em público. A palavra técnica para esse desconforto é Glossofobia. Alguns estudos iniciados na década de 1990 mostram que mais de 50% da população manifesta um completo pânico ao ter que apresentar um trabalho, projeto ou mesmo um simples discurso. De lá para cá as pesquisas continuam, mas é fácil perceber que a menos de cinco metros de onde estamos encontraremos gente assim.

Sou graduado em Comunicação Social e ministro vários treinamentos sobre Oratória. O melhor nisso tudo é observar a reação da plateia quando conto sobre minha profunda timidez; o ápice foi na adolescência e sofri muito com essa situação. Boca seca, vermelhidão no rosto, voz fraca, transpiração excessiva e medo de julgamentos eram alguns dos sintomas que surgiam em segundos. Já sei: você também tem histórias do tipo para compartilhar, certo? Todo esse contexto não está apenas atrelado à falta de treinamento. A própria psicologia comportamental tem nos presenteado com descobertas que atestam a ponte entre emoção e experiências vividas na infância, juventude e vida adulta. Confesso que o assunto é vasto e, quem sabe, podemos continuar em outra hora. Antes de ir quero oferecer a cada leitor algumas dicas para o início de um tratamento a médio e longo prazo:

  • Reconheça seus limites e peça ajuda para superá-los;
  • Seja simpático no início e no término da apresentação;
  • Jamais aceite falar sobre algo que não conhece;
  • Estude, estude e estude o material que irá apresentar;
  • Ensaie a sua apresentação. A medida que o tempo passar esse procedimento não será mais necessário;
  • Evite focar diretamente nos olhos da plateia (a menos que tenha liberdade para isso);
  • Cuidado com slides: excessos de texto e imagens cansam o público;
  • Administre o tempo: não fale demais e nem “fale de menos”;
  • Use roupas leves e sapatos confortáveis;
  • Fale pausadamente e com o mesmo tom de voz;
  • Arrisque: se lamentar não resolverá nada.

Ao longo dos meus treinamentos divido as tarefas entre conteúdo teórico e prático. Ver mudanças (para melhor) acontecerem é algo gratificante e mostra que, com esforço, uma parcela considerável dos sonhos pode ser alcançada. Mesmo que você não seja um palestrante profissional saiba que seu cotidiano estudantil, social e no mercado de trabalho exige ações de liderança e, por isso, assumir a posição como um bom orador é um ingrediente importante para bons resultados.

O cientista Isaac Newton certa vez disse que “O que sabemos é uma gota; o que ignoramos é um oceano.” Acho bom começar a se molhar!

Até o próximo artigo.


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