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O silêncio das heroínas

Por Diego Nascimento

Rute, a personagem bíblica, enfrentou o sol escaldante para cuidar dela e da sogra que na oportunidade eram viúvas. Leonor da Aquitânia faleceu aos oitenta e dois anos e foi uma das rainhas mais proeminentes da Idade Média, onde exerceu um governo histórico e marcado por sua inteligência (era fluente em oito idiomas). A Rainha Vitória I, da Inglaterra, governou o Reino Unido por mais de sessenta anos durante o século 19 e fez da Revolução Industrial um de seus maiores legados. A Princesa Isabel, regente brasileira, assinou a Lei Áurea em 1888 e assumiu o Império durante um período muito desafiador. Carlota Kemper foi uma educadora e empreendedora norte-americana que mudou a vida de muitos brasileiros. Em 1869 fundou um dos mais antigos educandários do país; morreu aos 90 anos de idade no interior de Minas Gerais com o coração alegre pelo dever cumprido. Amelia Earhart foi a primeira mulher a voar o Oceano Atlântico em 1928; desapareceu com seu avião em 1937 tentando dar a volta ao mundo. Winnie the Welder foi uma das 2 mil mulheres que trabalharam em navios durante a Segunda Guerra Mundial. Rachel de Queiroz, escritora, foi a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras. A catarinense Zilda Arns quebrou todos os paradigmas ao assumir um projeto de dimensão internacional: perdeu a vida durante um terremoto no Haiti em 2010. Maria da Penha lidera movimentos em defesa do direito da mulher e dá nome à lei que aumenta o rigor das punições em casos de violência contra o público feminino; se desloca em uma cadeira de rodas em virtude de uma agressão pelo seu cônjuge. Nilza é minha mãe. Hoje acordou cedo para preparar o café, “acordar a casa” e ir trabalhar.

Concordo com você: a lista é grande mas poderia ser muito, muito maior. Ao longo desse mês tenho gravado vídeos e preparado mensagens que tratam do papel do homem e da mulher no mercado de trabalho. Durante uma recente transmissão mostrei como o empreendedorismo tem uma participação ativa do público feminino, comprovado em números e até estudos internacionais. Meu objetivo não é dizer quem é melhor ou quem sai na frente: a ideia é entendermos que o mercado de trabalho anseia por talentos e, nesse caso, homens e mulheres são iguais. Há espaço para todos.

Recentemente ministrei uma palestra sobre “Trabalho em equipe” para uma associação de artesãos. 90% do público presente era composto por mulheres donas de casa, que exerciam um papel de liderança e em alguns casos de provedoras do lar. Esse cenário se repete em todos os cantos do país. Se formos para a esfera executiva veremos cada vez mais a mulherada assumindo o comando de grandes negociações, fusões, etc… Evidente que cada grupo tem suas particularidades, porém, se perde muito tempo em discussões desnecessárias em virtude do preconceito (digo para ambos os lados).

Nos meus 15 anos de atuação no mercado de trabalho preciso dizer e reconhecer que as mulheres contribuíram de forma significativa para meu crescimento profissional. Elas fazem parte da minha vida e isso inclui aquelas que estão em minha família. Sei perfeitamente que a maioria jamais será capa de revista ou temas de reportagem. Por isso intitulei esse artigo de o “Silêncio das heroínas. ” Há muitas que lutam caladas em prol da família, do desenvolvimento, da harmonia e no mais profundo abismo enxugam as lágrimas originadas do assédio, da agressão verbal, física ou simplesmente pela indiferença.

Encerro tomando a liberdade de, mais uma vez, alterar uma tradicional frase citada em discursos: não é atrás de todo grande homem que existe uma grande mulher; é ao lado e, muitas vezes, à frente!

Meus caros colegas da massa masculina: façamos a diferença!


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