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O fim da Terceira Guerra Mundial

Por Diego Nascimento

Para início de conversa, acabo de chegar de um trajeto pelo centro da cidade onde moro e fico cada vez mais perplexo em como o egoísmo tem se tornado uma epidemia. A própria linguagem corporal do povo mostra que a apreensão e o rancor andam ‘colados’ no coração da maioria. E, assim, o ‘clima pesado’ vivenciado dentro de casa, naquele encontro inesperado ou no WhatsApp/Facebook bate à porta do trabalho. Tudo resultado de uma prática costumeira na sociedade pós-moderna: a falta de perdão que sorrateiramente declarou uma Terceira Guerra Mundial (relacionamentos).

Família, vida profissional e lazer se resumem à um substantivo simples, mas complicado: o relacionamento. Garanto que aquela festa do ano passado no departamento X, o olhar da secretária Y ou aquela mensagem do ‘fulano de tal’ já estão em sua mente, certo? Errado! Remoer o passado não é saudável: mente e corpo sofrem com isso. No que se trata de Ética Profissional e Convívio, defendo a ideia de que o perdão é o antídoto para um veneno chamado ressentimento. Sem esse ato nobre, as relações se tornam frias, as reuniões de brainstorming perdem a qualidade (seja por resistência no falar ou no ouvir o próximo), o individualismo se desenvolve e o trabalho de equipe entra em ruptura. Mas o que justifica o incentivo à prática do perdão no cotidiano profissional e demais áreas?

1) É uma recomendação bíblica: na carta de Paulo aos Colossenses (capítulo 3, verso 13), Paulo registra: “Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou.”;

2) Faz bem para a saúde: de acordo com a Dra. Karen Swartz, diretora da Clínica de Consulta Médica para Transtornos do Humor do Hospital Johns Hopkins[1], “Há um enorme fardo físico ao se manter ferido e desapontado. A raiva crônica nos coloca em um modo de luta ou fuga, que resulta em inúmeras mudanças de frequência cardíaca, pressão arterial e imunidade”;

3)  É uma questão de honra: Nelson Mandela, falecido em 2013, se tornou uma figura emblemática ao perdoar todos aqueles que o acusaram, atacaram e o levaram para a prisão, onde permaneceu por vinte e sete anos;

4) É um exercício de relacionamento interpessoal: o ato de perdoar independe de status social, escolaridade ou nacionalidade. Grandes líderes optaram por andar de mãos dadas com o perdão. Até o grande Rei Davi, que comandou o império de Israel por muitos anos, em um de seus registros escreveu sobre o quão “é bom deitar em paz e logo pegar no sono.”

Talvez esteja pensando: “Falar é fácil. Quero ver toda essa teoria se tornar prática.” O fim dessa guerra depende única e exclusivamente de você. Por mais desafiador que a situação tenha sido, perdoar envolve dar o primeiro passo mesmo que o outro lado não esteja disposto a ouvir. Aprendi que tudo tem o tempo certo e nas empresas em que a harmonia circula pelas salas e corredores o sucesso é garantido.

Minhas palestras acontecem em escolas, faculdades, universidades, igrejas, micro, médias, grandes empresas (até multinacionais) e em cada uma elas lanço esse desafio. Não será um crachá ou uma faixa salarial que isentará A ou B de perdoar ou alcançar perdão. Tome uma atitude e esclareça os fatos, pois, amanhã pode ser tarde.


So, what do you think ?