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Conta-gotas da corrupção

Por Diego Nascimento

Desde que iniciei a produção de artigos sobre Ética Profissional, tive um “pressentimento” de que “bombas” poderiam explodir. Longe de dar qualquer lição de moral, sempre busco trazer experiências pessoais para mostrar que a honestidade vale a pena. Atitudes individuais ou de grupo passam pelo processo da escolha e, mesmo sabendo das consequências, há os que preferem atalhos perigosos e traumáticos.

Se engana quem pensa que a corrupção esteja atrelada a grandes somas de dinheiro ou a negociações profundas. Com muito pesar digo que esse tipo de ocorrência começa dentro da casa de muita gente. Burlar o pagamento de serviços que são tarifados, ocupar um espaço de garagem que não te pertence, “furar” a fila, estacionar o carro em vagas destinadas aos idosos (quando você está longe da terceira idade), cometer plágio e praticar a tão famosa ‘mentirinha’ são alguns dos pontos que enchem uma lista imensa e que oferecem porta aberta ao péssimo hábito apelidado de “jeitinho brasileiro.” São aparentes besteiras que dão o pontapé para a corrupção, não importa a escala ou a classe social.

Recentemente encontrei com um amigo e a sede por “crescer na empresa” era visível. Meu conselho foi firme e direto: “Jamais abra mão de seus valores familiares e da honestidade para alçar voos mais altos. Melhor uma decolagem segura do que uma queda iminente e fatal. ” O fator corrupção é antigo, a exemplo do que é citado no livro Culture Matters (A Cultura Importa) escrito por Lawrence E. Harrison e Samuel P. Huntington em 2000, ambos professores da Universidade de Harvard. Em um dos capítulos encontramos um relato que mostra a relação de fatores culturais a essa prática triste e decepcionante. Estudos complementares também mostram que a honestidade permite a criação de valores sustentáveis entre empresas e pessoas e que há caminhos para lutarmos contra essa prática nociva que é a corrupção.

Integridade não faz mal a ninguém. Tente imaginar quantas discussões não teriam ocorrido se a verdade absoluta e o bom senso fossem características comuns dentro e fora do ambiente de trabalho. Sei que o mundo feliz, onde todos sorriem e cantam alegres e saltitantes é uma utopia, mas podemos fazer nossa parte para que o cotidiano da geração atual seja diferente e digno de ser copiado. Independentemente de sua idade, profissão, tempo de empresa ou endereço residencial sugiro a prática de uma recomendação bíblica, registrada há quase dois mil anos: “Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade ao seu próximo, pois todos somos membro de um mesmo corpo. ” Livro Efésios, capítulo 4, verso 25.

A corrupção começa devagar e quase inofensiva e, como eu disse no início do texto, com ações “insignificantes” dentro de casa. Corra dela.

Saudações empreendedoras!


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